terça-feira, 16 de março de 2010

Luto

Luto. Contra mim. Contra o meu coração quando ele teima em sentir. Contra a minha emoção quando cria expectativas fáceis. Contra a minha razão quando simplesmente me bloqueia.
Luto. Na vida. Na independência dos planos que falharam. Na certeza de depender apenas de mim querendo dar, sempre, tudo, aos outros.
Luto. Com todas a minhas forças para construir o meu castelo. Levo no regaço as pedras que encontro no caminho. Coloco-as em escadinhas que formam paredes. Esculpo-as de sensações redondas e doces.
Luto. Para ter uma família. A minha familia. Um guia. Alguém que me compreenda e preencha. Que deseje verdadeiramente viver aqui, do lado esquerdo do meu peito, perceber o que sinto e respeitar os meus projectos. Mesmo os que falharam.
Luto, porque sou uma lutadora. Nunca, nada, em momento algum, me foi dado de mão beijada. Por isso desconfio, por isso tenho medo, por isso me protejo irreversivelmente e me desiludo em cada passagem.
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Luto expontaneamente. Luto por mim, contra mim.
Luto de mim, por agora.

1 comentário:

aas disse...

Calotas, é assim que este teu papi gosta de te sentir, minha grande guerreira!