"Cada um de nós é responsável pela sua vida: este é um ponto essencial que o Budismo me ensinou. E seja influência sua ou simples moda, a verdade é que tenho ouvido cada vez mais pessoas fazerem esta afirmação.
Sem dúvida o ponto em que nos encontramos resulta das inúmeras escolhas que fomos fazendo, algumas – para não dizer muitas delas – de forma insconsciente. Pessoas, livros, encontros e acontecimentos aparentemente aleatórios contribuiram, por vezes de forma determinante, para nos trazer para onde estamos hoje.
A cada instante, numa simples escolha de itinerário, estamos a expor-nos a certos acontecimentos e a evitar outros tantos e esta escolha pode por vezes fazer a diferença entre a vida e a morte. Vista por este prisma, a vida revela-se uma infinita teia de probabilidades e de processos causais e poderia tornar-se verdadeiramente assustadora se estes fossem aleatórios.
Mas não são. O Budismo, e como ele outras tradições espirituais e não só, falam da importância da ética. A ética é um elemento fundamental para encontrarmos alguma ordem neste aparente caos, explicando as ações – ou escolhas – que devemos evitar e as que devemos cultivar em virtude das consequências que acarretam e das situações que geram. Se seguirmos as indicações estaremos, de certa forma, protegidos.
Digo “de certa forma” porque há processos que, por serem mais globais – sociais, comunitários, ou planetários, por exemplo – ou mais antigos – e resultarem de escolhas anteriores – escapam ao crivo dessa proteção. É por essa razão que, “fazermos tudo certo” não constitui necessariamente uma garantia de que tudo irá sempre “correr bem”.
Sim, a nossa vida é criada por nós porque temos liberdade para reagirmos de forma positiva aos desafios. E é por isso que a podemos mudar neste preciso instante, sem termos necessariamente de mandar tudo às urtigas, simplesmente decidindo – do fundo do coração – mudar de atitude."
Tsering Paldron
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